segunda-feira, janeiro 23, 2006

Poema das coisas belas

"Fenda da Tundavala"
(Uma belíssima paisagem do Lubango, retirada daqui)
.
Poema das coisas belas*

As coisas belas,
as que deixam cicatrizes na memória dos homens,
por que motivo serão belas?
E belas, para quê?

Põe-se o Sol porque o seu movimento é relativo.
Derrama cores porque os meus olhos vêem.
Mas porque será belo o pôr de Sol?
E belo, para quê?

Se acaso as coisas não são coisas em si mesmas,
mas só são coisas quando coisas percebidas,
por que direi das coisas que são belas?
E belas, para quê?

Se acaso as coisas forem coisas em si mesmas
sem precisarem de ser coisas percebidas,
para quem serão belas essas coisas?
E belas, para quê?
*António Gedeão*
*(poeta português; in: “6 poemas de António Gedeão”, edição JSC-Público, 1995)

2 comentários:

Márcia disse...

Gosto imensamente de António Gedeão e, especialmente, deste poema.

Ana Rita disse...

E quanta beleza prendem em si as palavras?