quarta-feira, maio 10, 2006

Saudades

"Abstrato Azul e Verde"
(tela de
Sylvio Paiva, 2001)
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Saudades*

Saudades! Sim... talvez... e porque não?...
Se o nosso sonho foi tão alto e forte
Que bem pensara vê-lo até à morte
Deslumbrar-me de luz o coração!

Esquecer! Para quê?... Ah! como é vão!
Que tudo isso, Amor, nos não importe.
Se ele deixou beleza que conforte
Deve-nos ser sagrado como o pão!

Quantas vezes, Amor, já te esqueci,
Para mais doidamente me lembrar,
Mais doidamente me lembrar de ti!

E quem dera que fosse sempre assim:
Quanto menos quisesse recordar
Mais a saudade andasse presa a mim!

*Florbela Espanca*
*(poeta portuguesa, retirado do livro “Sessenta Sonetos de Amor, ed. CELPA, 1995/6)

1 comentário:

Anónimo disse...

Olá bom dia. Sou estudante espanhol de português y gostaria de saber o nome da editorial que edita o livro "sessenta sonetos de amor" desta senhora, Flor Bela Espanca para comprá-lo. Obrigado.

rincondebraun@hotmail.com