sexta-feira, junho 16, 2006

Pescador

"pescador em Calumbo, Angola"
(Foto; desconhecido autor)
.
PESCADOR*

Oh! Pescador!
é a pesca o teu trabalho
e a água a tua maior inimiga.
Oh! Pescador!
incansável trabalhador
de quem uma população vive;
tens
o peixe por inimigo,
a barca por companheira,
a lua por conselheira
e o povo por teu “consumidor”.
Nas longas horas de fadiga
tnes na faina,
às vezes,
uma conselheira amiga.
És tu pescador
que passas ao relento
a noite inteira,
para alimentar uma população
que,
no entanto,
de ti,
se alheia;
da vida terrível que levas,
noite e dia,
no teu frágil
mas mui amigo dongo.
Na madrugada quando regressas
lá longe, uma luzinha te espera.
É a tua companheira
aflita,
resignada,
à tua padroeira
por ti reza.
E quando chegas,
cansado,
depois de muita luta
infrutífera e sem rendimento,
a maior parte das vezes,
tens uma simples funjada
como parco alimento.
Sim, é este o seu sustento,
para quem uma vida dura,
agitada,
passa.
População ingrata
que tal vida não te reconhece,
a qual,
muito banzé começa a fazer
quando o peixe,
esse alimento oblongo,
começa a desaparecer.
E tu,
incansável trabalhador,
para população satisfazeres
no teu frágil dongo
ao mar agitado
lá vais tu,
a rede lançar,
para ingratos comensais
sua fome saciar.
É esta a tua sina inexorável.
Oh trabalhador incansável.
Vassalo,
qual escravo maldito
de uma multidão,
ansiosa,
que o teu peixe espera.
E sempre,
sempre no teu frágil
e instável
dongo.

*Lobitino Almeida N'gola*
*escrito em Luanda, Maio de 1975

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