terça-feira, julho 11, 2006

Poema de um homem só

"Marie-Hélène"
(Óleo sobre tela de Arpad Szenes, 1942)

Poema de um homem só*

Alma pura, bela e cristalina,
maldita lava incandescente;
és ofuscante
e radiosa.
Porém,
róis-me,
no todo,
profundamente.
Fronte de loiro coroada,
és amora silvestre.
Rosto sereno,
angélico,
inteligente,
irritadiço.
Desprezas, feres,
odeias ou amas?
O que emanas
nesse teu vaguear constante
ondolante,
sem dó.
És,
certamente,
o meu fruto proibido,
o fruto vedado a um Homem só!

*Lobitino Almeida N’gola*
*feito em Lisboa, 23 de Maio de 1989

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