quarta-feira, junho 06, 2007

Palavras como resgate

Mdemba Fragmentos
(Óleo sobre tela de
Tozé)

Palavras como resgate*

Eis aberto meu baú
de manhãs de oiro
que ofereço como resgate

eis
transbordante
o cálice da cicuta
profecia desta água
que beberei de um só trago
para que ninguém mais
prove sua amargura

rompi da escuridão
com o segredo deste destino
para escrever no mundo
minha busca dos limites da saudade

(e como os pássaros de Octávio Paz
canto sem o saber
meu entendimento é a garganta).

Luanda, Agosto de 2006

*Manuel Dionísio*
*(poeta luso-angolano; poema inédito a publicar no seu próximo livro “Palavras como resgate”)

Sem comentários: