terça-feira, novembro 04, 2008

Resistência

"Sem Título"
(Foto “Tonspi;
daqui)

Resistência*

Do Negage à Portela
Pérola Quicongo à beira Tejo
Bairro da lata de Areeiro
Musseque dos espoliados em Lisboa

Negra sozinha na noite
Embrenhada no escuro dos escorraçados
Avenida abaixo, calçada arriba
Olhos tristes, paisagem do desconforto

Como quem persegue a luz
Borboleta africana, perseverante
Paciente e desesperada, luta, desarmada
Na garganta um nó
Mas, ainda assim, sorri…
Mostra alvos os olhos
E os dentes…
Da boca carnuda, belíssima…
Negra esbelta, triste
E contente
Só porque está viva
E seduz…

Que linda que ela vai
Anda prenha a negra do Congo
Veio de tão longe parir em Lisboa
Um filho da noite no musseque do Areeiro…
.
*Luís Urgais*
*(poeta português; da obra “Trinta e três poemas inteiros” cedido à Casa de Angola)

4 comentários:

José Silva disse...

Gosto muito deste poema: "Resistência", queria saber como adquirir o livro, qual a editora

Márcia disse...

Lembrei demais de você, Eugênio, no final de semana passado. Houve uma festa literária aqui, a FLIPORTO, que este ano tratou dos vínculos com a África. E vieram Amélia Veiga, Paulina Chiziane, Pepetela, Marcelino dos Santos, Luis Carlos Patraquin, Agualusa e mais uma porção de escritores e poetas africanos. Foi belíssimo!
Ouvindo Amélia dizer seus poemas, lembrei que a primeira vez que a li foi aqui. Ouvi-los, vê-los, conhecê-los de perto e conversar com eles foi das melhores coisas que já me aconteceu.

Se quiser saber mais da festa, acesse aqui: FLIPORTO.

Beijo daqui, do outro lado do nosso mesmo mar.

Jorge C. Reis disse...

Vim aqui parar nem sei como. E do que vi gostei. Voltarei

Anónimo disse...

Ai Angola, Angola... Como é linda assim cantada. Neste livro de Luís Urgais há mais uns quantos poemas: Bumba, Cafofa de Benguela e por aí adiante, um abraço

Luís Martins , Rio de Mouro