quarta-feira, fevereiro 23, 2011

A terra vermelha, o embondeiro

"Bocóio, Terra Vermelha"

"Foto de DaSilva, Lili"


A terra vermelha, o embondeiro*


Não! Já não tenho saudades do império.

Apenas, a memória que reprimo,

nos muitos pedaços de uma guerra

que não deveria ter acontecido.

Tão bárbara como todas as guerras,

sempre inconscientes

nos seus próprios mortos.

Sobretudo, no dia seguinte

ao fim da guerra,

nessa ilusão de tratados,

a que chamam paz.


A manga que cai da árvore,

os jacarés da barra do Kwanza

a terra vermelha, o embondeiro,

nesta terra de tórridas saudades,

e o recanto mais recôndito

de todos os recontros.

Verão de Angola sabe a sumo de papaia,

em hora de pequeno almoço.


*José Adelino Maltez*

*(Cientista político; poeta português – poema retirado da obra “Sobre o tempo que passa”)

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