segunda-feira, outubro 10, 2011

Deixem-me chorar

Tears and Pain
(Foto retirado daqui)

Deixem-me chorar*

Deixem-me chorar
lágrimas de esquina
que dobram o coração,
sonhos de madrugada
que amamentam
as noites do luar.

Deixem-me vaguear
nos córregos do cérebro
que bloqueiam a poesia,
que travam a sensatez.

Dobro a vida das esquinas
e encontro a ponte
que não tem margens.

Deixem-me andar por aí
como quem sabe o que faz,
mesmo quando tropeço
no sonho de apenas querer
chorar como qualquer um.

*Orlando Castro*
*(Jornalista, contista e poeta angolano-português, poema inicialmente publicado aqui)

quinta-feira, outubro 06, 2011

As Calemas do Lobito

"Calemas"
(foto ©Elcalmeida, 2010)

As Calemas do Lobito*

Nas douradas areias
ou nas duras rochas,
batem duras,
batem fortes,
ondas soberbas
em cadência;
batem, enrolam
e em alvas espumas
desmaiam e voltam.

São as nossas Calemas!

Nas delicadas areias
ou nas duras fragas,
batem e tornam a bater
duras, fortes,
enroladas,
como só elas o sabem fazer.

São as nossas Calemas!

Cíclicas, metódicas,
em finais de Setembro acodem
e em Outubro partem;
na Restinga,
no Bairro da Praia,
ou no Compão
as Calemas abrolhem.

São as nossas Calemas
que ruidosas,
estrídulas, aparatosas,
no esporão desmaiam
e o Lobito refrescam!

*Lobitino Almeida N’gola*
*(6/Outubro./2011)