segunda-feira, dezembro 23, 2013

Feliz Natal 2013


Frondente,
arrogante,
pançuda
e baluarte
copa larga,
disforme
seus frutos pendidos
quais bolas natalícias
assim é a minha árvore.

*****

É a minha árvore de Natal
é o Imbondeiro!


*Lobitino Almeida N´gola*

quarta-feira, setembro 25, 2013

A Vaga

(Calema em Porto Amboim, Kwanza Sul, daqui)

A Vaga*

Alva-celeste acorre,
na fina dourada areia,
excita-se, desmaia,
e em castanho-escuma,
de mansinho, ausenta-se.

É a vaga
que uma a uma
em sucessão
sem interrupção
na terra xaxata,
no mar adensa,
e em kalemba
horrenda,
grandiosa,
se modela;
e nas encostas,
qual kianda irosa,
ribomba.

É a vaga trovadora
que na costa semba,
na baía, qual uanga, acalora
e a alma da Restinga faz brilhar.

Glossário:
Kalemba (aportuguesado como calema), ondas alterosas, agitação violenta do mar;
Kianda, (plural Ianda), um espírito das águas
Restinga, pequena e estreita península que entra pelo mar dentro, no caso, uma homenagem ao local onde nasci, na cidade do Lobito.
Semba(verbo sembar), requebrar-se, dar umbigadas, dançar.
Uanga, feitiço.
Xaxata(verbo xaxatar), tocar, apalpar

*Lobitino Almeida N’gola*
* (escrito a 17 Setembro 2012)

quinta-feira, fevereiro 21, 2013

Poema



“Retrato de ”"Delmar Maia Gonçalves")
(Carvão s/ papel de Vera Novo Fornelos)

Poema*

Mãe!
Vou
ao funeral
da Verdade.
Que a Mentira
é o rosto
dos Homens
que plantam
a Cidade!

*Delmar Maia Gonçalves*
*(poeta moçambicano; Lisboa, 20/02/2013, via Facebook)

terça-feira, janeiro 01, 2013

Angola (não) tem poetas?


(Poesia)
(Imagem da Internet)

Angola (não) tem poetas?*

As minhas crianças de barriga vazia
passam ao lado de todos os natais,
esquecidas pelos que fazem poesia
para ser cantada nos seus funerais.

Os abutres do regime lá comem tudo,
esquecem que o povo morre à fome.
O poeta, esse mantém-se bem mudo
e tem como musa aquilo que come.

Na frente de um prato de lagosta cheio
nunca vê a fome que ao seu lado toca,
e por isso permanece absorto e alheio
aos que, ao lado, só comem mandioca.

O poeta é hoje apenas um mercenário
ao serviço do dono que o povo trama,
assume-se como um reles e ordinário,
escravo que chupa em qualquer mama.

Curva-se, aceita e amplia a ordem dada,
lambe sempre as botas do novo patrão.
Arrota, pois claro!, postas de pescada,
abomina de peito cheio o prato de pirão.

Cumpre ordens do dono e nada o abala
nessa sofreguidão de ter a barriga cheia.
Atirá-los, a todos, do alto da Tundavala
ainda seria pouco para uma tal alcateia.

Já não se lembram dos 30 angolares,
e trocaram o peixe podre por caviar.
Agora a colonial porrada se refilares
é para o Povo que querem escravizar.

*Orlando Castro*
*(jornalista, poeta e ensaísta angolano; Dezembro 2012)