sexta-feira, junho 12, 2015

Saudade Teimosa

("African Suite")
(Tela de Keith Mallett, daqui)


Saudade Teimosa*

A minha alma está nostálgica!

A saudade veste-se de vermelho,
do chão daquela terra,
é iluminada pelos raios do sol único
mesmo que suada pelo cacimbo,
mas aquecida pelo ar dos trópicos!

Ai...Esta saudade…
Que teima em não desistir
e traz à minha memória,
tantas praias de alegria
e florestas de felicidade
picadas viajadas nas melodias
tocadas pelos batuques
e nos choros lânguidos do kissange!

Saudade, que me apertas o coração,
acalma-me esta ânsia de querer voltar
a pisar o vermelho do solo
e a sentir os cheiros de Angola!

Tudo mudou, tudo se transformou
talvez um dia, quiçá em outro tempo,
te possa visitar, minha terra de coração,
e voltar a deambular pelos musseques
de palhotas cobertas de colmo
forradas a barro,
ver os seios das mulheres
livres, como aves
embelezados pelo brilho da pele negra!

Ai, esta saudade de África
que se entranhou em mim,
respira pelos poros
da minha nostalgia
e entardece-me a alma
em melancolia.

*José Carlos Moutinho*
*(poema inédito do escritor e poeta português que viveu muitos anos em Angola)
Feito em 8/5/14

Poder venal

("Poder absoluto")
(via Internet)

Poder venal*

Imensas, desumanas e fortes
são as garras do Poder;
venal ópio de muitos dirigentes.
Quanto mais o consomem,
sem pundonor dos que derrocam,
mais determinação experimentam,
de o aumentar, de o manter!

*Lobitino Almeida N'gola*
*Luanda, Maio de 2009.

Angola saudosa

("Rhythm")
(Tela de Keith Mallett, daqui)

Angola saudosa*

Angola...
Terra quente, de chão vermelho
Como o sangue da vida,
Onde proliferam cores candentes,
De corações alegres
E almas ardentes!
Flora de deslumbrantes miragens,
Fauna de pujante riqueza!
Ah...Angola de tantos encantos,
Que se perdem nas planícies do tempo
E se reencontram nas montanhas,
Sob mantos de luar!
Angola...
Terra que vibra a cada instante,
No nascer da alvorada,
De sol escaldante...
Que nos sorri, em cada momento do nosso sentir!
Angola, país de tantos dialetos e contrastes,
De um povo forte, de místicas crenças!
Angola, filha da Mãe África,
Transbordante de saberes e feitiços,
De extensões que se perdem no infinito,
Das ilusões que se inventam misteriosas,
Nas noites de batuques,
Despertadas nas madrugadas,
De Acácias em flor,
Inebriadas pelos cheiros raros,
Desta Angola amada,
Incrustada, numa África bela
Paradoxalmente
Sofrida e sacrificada.

*José Carlos Moutinho*
*(poema inédito do escritor e poeta português que viveu muitos anos em Angola)
Feito em 10/2/12