terça-feira, março 09, 2010

Ilha nua

"Profundidade - s/título"

(Foto de Carlo Porcedda, para a Navetur)


Ilha nua*


Coqueiros e palmares da Terra Natal

Mar azul das ilhas perdidas na conjuntura dos séculos

Vegetação densa no horizonte imenso dos nossos sonhos.

Verdura, oceano, calor tropical

Gritando a sede imensa do salgado mar

No deserto paradoxal das praias humanas

Sedentas de espaço e de vida

Nos cantos amargos do ossobô1

Anunciando o cair das chuvas

Varrendo de rijo a terra calcinada

Saturada do calor ardente

Mas faminta da irradiação humana

Ilhas paradoxais do Sul do Sará

Os desertos humanos clamam

Na floresta virgem

Dos teus destinos sem planuras...


*Alda Espírito Santo*

*(Poetisa santomense (1926.2010); da obra “É nosso o solo sagrado da terra”; 1978)

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