terça-feira, abril 18, 2006

conto moçambicano 2: Conto Pindérico: Missa paganizante...

“Habitación de escritor con computer”
(Oleo/Contrachapado de
Luis Rejano)
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Conto Pindérico: MISSA PAGANIZANTE de LADRÕES da ESCRITA *

A Tico Dji Bolili, A Kê Ê Na Nau!
(Provérbio ronga «de Maputo» com mais de 100 anos. Tradução: - o País caiu na podridão, já não há respeito!)

Na savana ausente de ideias e de cócoras, um candidato a escriba de jornais, próximo de uma barraca de cerveja, vai recopiando textos alheios. Em simultâneo, copioso se espuma no esforço de olhar de amiúde o fundo da garrafa em busca de ideias ausentes que tardam em surgir para iluminar o “galo” inchado luzindo, no alto do seu corocoto, coroca, da última queda das suas incursões nocturnas ao som da shigumbaza na discoteca improvisada do John Muzamba, refugiado da Serra Leoa, ali p’rós lados da Polana Caniço.

O escriba –, Manoel Ferinando, seu nome. Acólito da Missa Paganizante de ladrões. Personagem típica nos meios dos “masse mídia” meio sem massas nem masse – yogurte, talvez xibuko ou tontonto, bebidas lá da região austral africana. Uma das conquistas da revolução Moçambicana. Manoel Efe, ao escrever, se retorcia em “delirium tremis”, trembling, tremulando no insustentável peso deficitário da criatividade, conspurcando-se no regurgitar de suas próprias cogitações “decubitárias”.

A personagem deste Conto Pindérico, Manoel Efe – sem xibongo (swivongo), apelido africano (não confundir com xipongo, o bode com os túbaros carcomidos que alguns comem. Dizem dar potência. Não sei). Bem, sem ofensa, sem xibongo, talvez ele se considerasse “destribalizado” para agradar aos herdeiros do Quadrado de Marracuene, em Guaza Muthine, que ressurgiram em Maputo e um pouco por esse imenso Moçambique em tertúlias quase, quase, “whites only” dos golden old days de LM and Beira City –, tipo Rhodesian and South African style. Bem, os Caldas Xavier, Roque de Aguiar, Paiva Couceiro, Ayres de Ornelas, Machado etc., tiveram as suas “Praças Indígenas” como em Tete / Zambézia e Nampula, Azevedo Coutinho e Neutel de Abreu, tiveram os seus atchicundas / sipaios. Curiosidade; se viajássemos na máquina do tempo para 2 de Fevereiro de 1895 a nossa personagem Manoel Ferinando estaria de que lado? Mistéérioo! Como numa célebre telenovela brasileira. Bem, sipaios sempre existiram, iluminados pela luz ténue de um xipêfo de consciência com pavio de petróleo do patarao (patrão), de Ligiboa ou acantonado na Polana Cimento.

Manoel Efe, sem xibongo (swivongo), recebia do senhor deus dele “o patarao”, as gorjetas / sagoate do fim do mês dos 200 mil meticais por crónica x 4 semanas. Mais ou menos 8 $USD x 4.

Manoel Efe, o tal sem apelido, habitava o País dos ladrões de colarinho engomado e sem goma. Apesar de que havia uns bacanos que gostavam de ser honestos, no entanto, considerados fora de moda. A carteira profissional de Manoel Efe, o tal sem… (já sabem), dizia, a carteira prof. havia sido emitida pelo Sindicato sem Sindicância predatória e por aí fora, do além.

Obviamente, efectuar um Safari pela savana adentro há que acautelar por estar repleta de “vulture’s” (abutres), quizumbas, “scavengers” ou xiguevengos (môluenes, bandidos), tipo necróforos ou pior: - escritores que tratam de temas pouco limpos. Sem crise. Pró Safari todos iam preparados com rede mosquiteira made in China via Bordaleja, Portugal. Sem esquecermos o sheltox spray imported do Johne para espantar tinongana, moscardos tsé-tsé chupadores de sangue, mosquitos e as melgas alusitanizadas pretensamente “cafrializadas” na savana, para Moçambicano ver e “cousas e lousas “ deste género. Ao Manoel Efe, tinha sido disponibilizado um computador lá na savana, perto do bebedouro dos patos bravos. Bem, o teclado tava assim um pouco que a modos meio de banda como os tectos das “baracas” (sem um erre) do Dumba Nengue do Museu (Maputo), dos tempos áureos do whisky João Caminhante (J.W.), meio metxi – txito (xi-xi) com algum corante remanescente do Scotch dos Highlander’s de saias axadrezadas das geladas montanhas da Escócia.

De quando em vez, o Manoel Efe, bom rapaz, recebia uma palmadinha nas costas, bem limada com lima nas arestas do compadrio da savana. O Manoel Efe, quando eruptava na escrita postas de magumba vindas do esfíncter à boca escancarada, era presenteado com o famoso rótulo da perdiz, faisão… ou será galinhola? Dá igual. Era o The Famous Grouse, Scotch Whisky.
Mas atenção, não confundir com a outra perdiz mais robusta com penas e garras de milhafre.

Well, o Manoel Ferinando, visitado pelas bruxas do Inhassoro ou de Mambone, no seu cérebro cansado (do Manoel), surgiam uns vaipes de relâmpagos e ele de cócoras freneticamente se meneando no chão da sala, massacrava o teclado do computador também no chão, por sinal, em performance, não lá muito bem computa, nem cômputo no geral. Aí então Manoel Ferinando mal se sustinha nas rótulas de seus joelhos, quando pretendia levantar-se.
Entretanto, na entreaberta porta da sua toca de minsse (hiena), surge uma silhueta feminina mal encoberta por uma mini-saia. Era Nandoca –, cheia de desgraça, se bamboleando nas largas ancas, miraculosamente, suspendendo um fio dental nas entrelinhas do entreposto de destinos cruéis sofridos. Nandoca, desafia o Manoel Efe, a uma ida à “churasquera” do Calú, da Av. 24 de Julho em Maputo.
O problema do Manoel Efe, o tal sem xibongo, é que nesse exacto momento se esvaía em espasmos de espuma meio “esgargalado”, pendendo para um dos lados de seu corpo, ombro a fintar o chão –, “jaze”, ele, esgotado.
Só conseguiu balbuciar: -. “Nandooca… como ginga vucééé!!! “
Te End! (The end). Mas não é o fim. Cantando e rindo lá vai ele!


*João Craveirinha*
*(escritor moçambicano; conto inicialmente publicado no jornal moçambicano, da Beira, "O Autarca", edição nº. 1052, de dia 18.04.
2006)

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