quarta-feira, março 21, 2007

Dia Mundial da Poesia: As Águas

"Floresta do Maiombe, Cabinda"
(Foto
daqui)

As Águas*

A chuva regressou pela boca da noite
Da sua grande caminhada
Qual virgem prostituída
Lançou-se desesperada
Nos braços famintos
Das árvores ressequidas!

(Nos braços famintos das árvores
Que eram os braços famintos dos homens...)

Derramou-se sobre as chagas da terra
E pingou das frestas
Do chapéu roto dos desalmados casebres das ilhas
E escorreu do dorso descarnado dos montes!

Desceu pela noite a serenar
A louca, a vagabunda, a pérfida estrela do céu
Ate que ao olhar brando e calmo da manha
Num aceno farto de promessas
Ressurgiu a terra sarada
Ressumando a fartura e a vida!

Nos braços das árvores...
Nos braços dos homens...

(Sobre o Dia Mundial da Poesia, ver apontamento no Pululu)

*Onésimo Silveira*
*(poeta caboverdiano; poema de “Hora grande”, 1962)

2 comentários:

Márcia disse...

Belo poema.
Vim matar as saudades daqui.
Um beijo daqui, do lado de cá do mar.

Urariano Mota disse...

Amigos de Angola, de Portugal, amantes da nossa língua: aguardo a sua visita em um blog de literatura e política: http://urarianoms.blog.uol.com.br/
Abraços.