quarta-feira, fevereiro 13, 2008

Fala da rainha de regresso ao Kimbo

"Tempestade no deserto do Namibe"
(O deserto da infância de Ruy de Carvalho; foto de
Saiago)

Fala da rainha de regresso ao Kimbo*

O capitão chegou
viu e venceu.
É a sua força
de matar-me os homens.
Minha porém, maior,
é a ciência
de entender os astros.
à mão que fere e mata
oponho uma colheita de segredos.
A terra é minha
e dela me entronizo.
às gerações delego
a reconquista.
O tempo que me serve
é de outra cor
e o sol decidirá
a cor do mando.
Irmãos ouvi-me bem
eu sou rainha.
Quem vos governa os corpos
saberá
das outras heranças
para que me guardo.

De que futuro pode haver temor
para quem tanto acumula de passado?


*Ruy Duarte de Carvalho*
*(angolano; poema da obra “Memória de tanta guerra (Antologia Poética)”, 1992, edições Vega;
daqui)

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