O que é este Blogue?

Quando se junta uma amálgama de palavras, um conto ou um poema podem sempre emergir. A sua divulgação fará que não morram esconsos numa escura e funda gaveta. Daí que às minhas palavras quero juntar as de outros que desejem participar. Os meus trabalhos estão publicados sob o pseudónimo: "Lobitino Almeida N'gola". Nas fotos e pinturas cliquem nos nomes e acedam às fontes.
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sexta-feira, abril 20, 2018

A Vida de um Homem (À memória do meu pai, em Angola)

“Árvore derrubada (ou quando árvore simboliza um País…)”

“foto (c(JFRodrigues


A Vida de um Homem*

(À memória do meu pai, em Angola)

Na infância disseram-lhe
que um homem só cumpre o destino
se plantar uma árvore,
fizer um filho
e escrever um livro.
Na infância plantou a árvore.
Quando já era adulto
fez os filhos
e foi construindo a casa.
Mais tarde,
quando o livro da vida
entrava no capítulo final
e a árvore estava alta, frondosa,
veio um vendaval,
derrubou a árvore
e destruiu-lhe a casa.

*José Filipe Rodrigues*
(Poeta e contista Angolano; MA, USA, Abril/2018)

sábado, janeiro 13, 2018

Serei poeta?


Serei poeta?*

Não sei se sou poeta,
ou se só junto vocábulos
numa nuvem de alegoria ribeirada,
onde o verde, é a orla bordada,
e o azul, o riacho marginal
de uma construção serpenteada
engastada num alvo papel,
desaguando miríadas promessas,
de elementares desconexas
a ulterioras encadeações,
numa embocadura,
 em total desordem,
não reversiva!

*Lobitino Almeida N’gola**

** escrito em 21 de Março de 2017 (publicado na Agenda Poética 2018 "Mangwana", no mês do autor, Novembro; capa da artista Isabel Nunes e edição da CEMD)

quinta-feira, julho 13, 2017

Liberdade

(Debaixo de um novo Céu)
(Dilia Fraguito Samarth)

Liberdade*

Olho para a tua alma
Vejo o outro lado da cidade a florir

Sonhos abraçam o nada na intensidade de uma certeza
Crianças ao relento da mocidade
Comungam o pai nosso da esperança

Tu não me podes dar carta branca
Eu sou um pássaro

As cinzas da minha dolente alma
Alcançaram a imortalidade no paraíso das palavras

As minhas lágrimas compraram  hectares de sorrisos
Nesta de deserto de queixumes
Recuso oferecer-te o meu clandestino abraço

(...) Alcancei a imortalidade

na dimensão de um adeus(...)

*Sandro Feijó*
*(Poeta angolano, Julho 2017 - inédito)

Espelho...

(Look in the mirror)
(ver aqui)

ESPELHO...*

Olho para a tua alma
Vejo o outro lado da cidade a florir

Sonhos abraçam o nada na intensidade de uma certeza
Crianças ao relento da mocidade

Comungam o pai nosso da esperança

*Sandro Feijó*
*(Poeta angolano, Julho 2017 - inédito)

sábado, julho 01, 2017

Aos muenexi da utopia, Kana!

(Revista Cultural Licungo, nº 5/Vov/2016)
(Foto ©Elcalmeida ; edição da CEMD)


Aos muenexi da utopia, Kana!* **

Kamba Eié!
Adormece sossegado,
e não te sintas sobressaltado.

Os muenexi da utopia
avassalaram o poder,
mas quando o dia tornar,
podes confiar,
que eles, zuna, bailarão.

Kamba, quando soar o dia,
quedarás numa imensa exultação;
tudo irá sulcar, florir,
nas anharas que fui capaz de criar
na tua afeição.

Kamba, eié!
Eles vão tomar berrida,
com falta de coragem de atender
a harmonia que conseguimos espalhar
e inundar bué, a chitaca, com a poesia
que serve para alimentar.
a kinda do nosso dia-a-dia.

Depois, de mão dada,
fimbaremos por aquela picada,
construída pelos nossos secúlos,
que nos levará a nós,
jamais sós.

Kamba, meu Kota, Eié!
Adormece retraído,
mas não te sintas abalado;
aos muenexi da utopia,
kiabolo, diremos… Kana!

Glossário (do kimbundo)
anharas – planície de capim (erva) rasteiro
bué – muito
chitaca – pequena fazenda, geralmente hortícola
eié – olá
fimbar(emos) – mergulhar
Kamba – Amigo
kana – não
kiabolo – podres
kinda – cesta
Kota – Mais velho (termo respeitoso)
muenexi – donos
picada – estrada
secúlos – idosos, ancestrais, avós
zuna – muito depressa

*Lobitino Almeida Ngola*
*Lisboa, Setembro de 2016

** Publicado no livro “Revista Cultural Licungo nº 5/Nov/2016”, páginas 88 e 89; edição CEMD

sexta-feira, junho 12, 2015

Poder venal

("Poder absoluto")
(via Internet)

Poder venal*

Imensas, desumanas e fortes
são as garras do Poder;
venal ópio de muitos dirigentes.
Quanto mais o consomem,
sem pundonor dos que derrocam,
mais determinação experimentam,
de o aumentar, de o manter!

*Lobitino Almeida N'gola*
*Luanda, Maio de 2009.

sexta-feira, janeiro 23, 2015

Raquel

(Imagens; daqui)

Raquel*

Agarro-me às pétalas da esperança
e encontro o mar a olhar para mim.
Quero sentir-me de novo a criança
que adora sonhar e amar sem fim.

O pôr do sol senta-se ao meu lado
e acaricia lágrimas que são uma flor,
e diz que o sonho não está acabado
e que é possível reencontrar o amor.

Será? Pergunto à brisa que me afaga
e que beija a minha triste melancolia.
- Nenhuma dúvida que sentes apaga
a força sentida e pura da tua poesia.

Será mesmo para mim essa resposta?
pergunto vendo o horizonte deserto.
Diz-me a leve brisa que quem gosta
estando longe acaba por estar perto.

Regresso ao sonho que me amanha
e lá reencontro a musa sempre fiel,
que há muito tempo me acompanha
e que no sonho se chama… Raquel.

… Acordo mas o sonho é o mesmo!

 *Orlando Castro*
*(jornalista, poeta e ensaísta angolano; Janeiro 2015)

sexta-feira, dezembro 26, 2014

Prenda de Natal 2014


Novo Jornal, ed. 361, secção Mutamba 26/Dez/2014      -    Cultura ed. 72, de 27/Dez/2014


Aos respectivos Directores/Editores o meu muito obrigado! (podem aceder aos textos clicando no órgão informativo respectivo)

segunda-feira, novembro 17, 2014

Foi há 39 anos!


Um poema publicado, sob o pseudónimo (literário-poético) Lobitino Almeida Ngola, referente ao Dia Nacional pelo semanário angolano Novo Jornal e sob o destaque «Especial 11 de Novembro»

Pode ser acedido através daqui.

domingo, fevereiro 23, 2014

Os novos corsários

“Os novos piratas marítimos”
(Foto ©Lusa/Açores 9, na Internet)

Os novos corsários*

Agora, que os corsários naufragaram
nos séculos antigos das memórias
ou nas lendas narradas em histórias
de embalar e adormecer as crianças,
são outras as ameaças à segurança,
são novos os perigos que andam no ar
e diferentes as tácticas de guerra,
é tempo de virar as costas ao mar
e de apontar
os canhões para os piratas em terra.

Glossário: este poema é "dedicado" à pirataria marítima em África.

*José Filipe Rodrigues*
*(Poeta e contista Angolano -  Fairhaven, MA, USA, 2008)

Cores

“Cores”
(Foto de ©Eduardo Carvalho)

Cores*

Até na água enlameada,
do buraco da estrada
de alcatrão,
a reflexão
do céu é azulada,
dissipando a cor acastanhada,
barrenta, escura,
que poderia induzir à amargura.
Quem, aqui ao redor,
ainda clama
não haver cor
que se sobreponha à da lama?

*José Filipe Rodrigues*
*(Poeta e contista Angolano Foxboro, MA, USA)

O Rio

“Rio Cuango, Angola”
(Foto ©JMagro)

O Rio*

O Rio corre lentamente,
para o mar
indiferente
ao Inverno que está para chegar.
E na margem
do leito
onde acontece essa viagem
o gêlo vai encontrando jeito
para nascer e aumentar
devagar
até a Primavera o contrariar.

*José Filipe Rodrigues (ou JFR)*
*(Poeta e contista Angolano - Foxboro, Taunton; MA 13, USA)

quarta-feira, setembro 25, 2013

A Vaga

(Calema em Porto Amboim, Kwanza Sul, daqui)

A Vaga*

Alva-celeste acorre,
na fina dourada areia,
excita-se, desmaia,
e em castanho-escuma,
de mansinho, ausenta-se.

É a vaga
que uma a uma
em sucessão
sem interrupção
na terra xaxata,
no mar adensa,
e em kalemba
horrenda,
grandiosa,
se modela;
e nas encostas,
qual kianda irosa,
ribomba.

É a vaga trovadora
que na costa semba,
na baía, qual uanga, acalora
e a alma da Restinga faz brilhar.

Glossário:
Kalemba (aportuguesado como calema), ondas alterosas, agitação violenta do mar;
Kianda, (plural Ianda), um espírito das águas
Restinga, pequena e estreita península que entra pelo mar dentro, no caso, uma homenagem ao local onde nasci, na cidade do Lobito.
Semba(verbo sembar), requebrar-se, dar umbigadas, dançar.
Uanga, feitiço.
Xaxata(verbo xaxatar), tocar, apalpar

*Lobitino Almeida N’gola*
* (escrito a 17 Setembro 2012)