O que é este Blogue?

Quando se junta uma amálgama de palavras, um conto ou um poema podem sempre emergir. A sua divulgação fará que não morram esconsos numa escura e funda gaveta. Daí que às minhas palavras quero juntar as de outros que desejem participar. Os meus trabalhos estão publicados sob o pseudónimo: "Lobitino Almeida N'gola". Nas fotos e pinturas cliquem nos nomes e acedam às fontes.
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quinta-feira, fevereiro 21, 2013

Poema



“Retrato de ”"Delmar Maia Gonçalves")
(Carvão s/ papel de Vera Novo Fornelos)

Poema*

Mãe!
Vou
ao funeral
da Verdade.
Que a Mentira
é o rosto
dos Homens
que plantam
a Cidade!

*Delmar Maia Gonçalves*
*(poeta moçambicano; Lisboa, 20/02/2013, via Facebook)

terça-feira, dezembro 16, 2008

Resposta ao Mestre José Craveirinha

Imagem reflectida do eu
(Tela do angolano
Thó Simões)

Resposta ao Mestre José Craveirinha*

Sabe Mestre…
Hoje os peidas gordas
Já não tem cor nem raça
E no entanto a táctica de por K.O.
Essa espécie com um punch
Ao primeiro round
Aumentou consideravelmente
E garanto-te também mestre
Que já existem mais peidas…
Os peidas magras
E os peidas minguadas
De tanta ignorância instalada
Já se confundem
E fundem,
Joe Louis
Com Max Schmelling
E os Skin Head’s, Neonazis emprestados,
Apregoando nacionalismos exacerbados
Fazem vendettas urbanas
Organizando linchamentos surpresa de negros e gays
E os tribunais de tão democráticos
Libertam-nos sob caução ou já com pena suspensa
E no final ficamos todos a perder,
A perder no evoluir
Da regressão, alguma humanidade
E ficamos sem um pingo de vergonha!

*Delmar Maia Gonçalves*
*(poeta moçambicano; poema cedido ao Malambas pelo autor; Lisboa, 10/09/2007)

terça-feira, dezembro 11, 2007

E Eu sou Eu

"Sem título"

E Eu sou Eu*

Aqui estou eu
Mestiço de negro e branco
Severo e brando
Obstinado e ocioso
Modesto e orgulhoso
Obsessivo e sereno
Manso e prudente
Agradável e egocêntrico
Talvez a lei dos contrários
Impere em mim
Ou talvez haja apenas
Uma simbiose de antíteses
O que faz de mim indivíduo
Pois é…
Eu sou eu.

Parede, 3 de Fevereiro de 1996

*Delmar Maia Gonçalves*
*(poeta moçambicano)

A Universalidade do Crente

"Universo"
(Desenho de
Deko)

A Universalidade do Crente*

Sou Cristão
Vou a Roma ou a Belém
Vou à Igreja
Ajoelho-me e oro
Leio a Bíblia Sagrada
Invoco Jesus Cristo
Rezo a Deus
Cumpro o meu dever
Retorno.

Sou Muçulmano
Vou à Meca ou Medina
Vou à Mesquita
Leio o Alcorão
Oro
Invoco Muahmmad
Rezo a Allah
Cumpro o meu dever
Retorno.

Sou Judeu
Vou à Telavive ou Jerusalém
Vou à Sinagoga
Leio o Torá
Oro
Faço a Tahanum
Invoco David e Salomão
Rezo a Adona
Cumpro o meu dever
Retorno.

Sou Hindu
Vou à Benares ou ao Ganges
Vou ao Templo
Leio o Gita
Medito e oro
Purifico-me
Invoco Krishna
Rezo a Om e Brahma
Cumpro o meu dever
Retorno.

Sou homem global
Crente de deus
E estou
Em sua busca.

Madorna/Parede, 29 de Outubro de 1994

*Delmar Maia Gonçalves*
*(poeta moçambicano)

terça-feira, janeiro 03, 2006

O Enigma

"Mãe negra, o filho e o pássaro mensageiro"
aguarela de Lívio de Morais,
para a capa do livro Moçambique Novo, O Enigma.

O Enigma*

Sou negro
para os brancos
e branco
para os negros,
mas sou mestiço!

E mesmo como mestiço
sou um paradoxo
um enigma!

Não sei se sou
um mestiço negro ou um mestiço branco
se sou mais negro
ou mais branco.
Sei somente
que sou um mestiço
um mestiço de negro
e branco
um mestiço de corpo inteiro
uma adição de negro e branco.
.
*Delmar Maia Gonçalves*
*(poeta moçambicano; poema retirado da obra "Moçambique Novo, O Enigma", 2005)