quinta-feira, agosto 25, 2011

Os sinais antigos de quem procura eternidade

“Entardecer”
Original de W. Mooney


Os sinais antigos de quem procura eternidade*


Apetece confessar,

nestas folhas de memória

quem, na verdade, sou

e ousar seguir

minha procura.

Apetece confessar que estou aqui

a viver e reviver o amor.

Não apenas corpos em prazer,

mas os segredos antigos

de quem se faz eternidade.


Há viagens que são beleza,

mãos, cheiros, ouvidos, olhos

e todos os demais sentidos

que me dão a ilusão

de acrescentar a criação.

Esse humano, demasiado humano,

a que não posso ser alheio,

para que se descubra o infinito.


*José Adelino Maltez*
*(Cientista político; poeta português – poema retirado da obra “Sobre o tempo que passa”)

sábado, agosto 20, 2011

E ele acabou…

"Bigodes"
(imagem da Internet)

E ele acabou…*

E em mim quase 40 anos ele durou…

A idade o fez aparecer,
tal como uma espiga medrou,
arvorou e ceifou,
mas uma imagem no espelho astuta
o fez, de novo, recrescer.

E em mim quase 40 anos ele aturou…

Depois de avermelhado se afirmar
e em trigo depois se virar,
serodiamente,
com o tempo coabitado,
em cinza se atestou.

E em mim quase 40 anos ele aguentou…

Seja carência, afirmação ou moda,
eles os há ostentosos, afilados,
distintos, revertidos ou espetados;
e a todos que o usaram, atestou e honrou.

E em mim quase 40 anos ele teimou…

Se eu, como muitos, o ornei
nele outros se certificaram,
Hitler ou Estaline, Dali ou Gable, entre outros,
arrogantemente o pompearam.

E em mim quase 40 anos ele abarbou…

E ao fim destes anos passado
umas vezes, como um precário
outros, declaradamente extasiado,
finalmente numa tarde se vazou.
Durante 40 anos o prezei,
minha cara ornou.
Adeus, cinza bigode, o matei,
um superior lóbulo inocente ficou.

*Lobitino Almeida N’gola*
*(8/Agosto./2011)