O que é este Blogue?

Quando se junta uma amálgama de palavras, um conto ou um poema podem sempre emergir. A sua divulgação fará que não morram esconsos numa escura e funda gaveta. Daí que às minhas palavras quero juntar as de outros que desejem participar. Os meus trabalhos estão publicados sob o pseudónimo: "Lobitino Almeida N'gola". Nas fotos e pinturas cliquem nos nomes e acedam às fontes.

quinta-feira, março 11, 2010

Responda

Reflexos e reflexões...

(Foto de Sueli Suzigan, 2001)


Responda*


Porque é que eu sou

O que você mais

Odeia num homem!?


Porque é que eu sou

Simplesmente uma gota

No seu oceano!?


Porque é que você

Me Despreza

Depois me deseja

E acaba deixando-me

Confundido!?


Porque choro

Pelo seu amor

Se você nem mesmo

Valoriza as minhas lágrimas!?

Porquê!?

Não importa

O que dirás

Responda simplesmente.


Porque é que você

Prefere ser usada

Do que amada

Palanca!?


Porque é que eu

Amo-te

E só você não vê!?

És tão cega assim!?

Não importa

O que dirás

Responda simplesmente…


Porque desconheces

O amor

E dilaceras

O meu muxima de tanta dor

Porquê!?

Não importa

O que dirás

Responda simplesmente.


*Sandro Feijó*

*(Poeta Universal; poeta angolano)

terça-feira, março 09, 2010

Ilha nua

"Profundidade - s/título"

(Foto de Carlo Porcedda, para a Navetur)


Ilha nua*


Coqueiros e palmares da Terra Natal

Mar azul das ilhas perdidas na conjuntura dos séculos

Vegetação densa no horizonte imenso dos nossos sonhos.

Verdura, oceano, calor tropical

Gritando a sede imensa do salgado mar

No deserto paradoxal das praias humanas

Sedentas de espaço e de vida

Nos cantos amargos do ossobô1

Anunciando o cair das chuvas

Varrendo de rijo a terra calcinada

Saturada do calor ardente

Mas faminta da irradiação humana

Ilhas paradoxais do Sul do Sará

Os desertos humanos clamam

Na floresta virgem

Dos teus destinos sem planuras...


*Alda Espírito Santo*

*(Poetisa santomense (1926.2010); da obra “É nosso o solo sagrado da terra”; 1978)

quinta-feira, março 04, 2010

É Preciso

O verde pede paz

(Pintura a óleo de Mário Célio)


É Preciso*

Chorar para descarregar

Os fardos pesados da alma


Amar-nos uns aos outros

Independentemente da riqueza

Cor

Raça

Língua

Religião ou partido político


Servir a nação

Sem segundo interesses pessoais


Evitar a guerra

E fabricar a paz

Que os sonhos estejam

Distantes como o mar

Para que possamos lutar

Pela sua conquista


Preservamos

A nossa identidade cultural

Como cidadãos do mundo

Que mudemos a mentalidade

As atitudes e cultivemos

O espírito auto-crítico


Que se dê oportunidade

A quem nunca teve

Que se valorize

O que é nacional

Porque é autêntico

Que se cultive o espírito

De união e ajuda mútua


Morrer e não perder a vida

Valoriza a vida

Porque é um recurso não renovável!


*Sandro Feijó*

*(Nova poesia angolana num Poeta Universal; Março de 2010)

sexta-feira, fevereiro 05, 2010

Pôr-do-sol

Pôr-do-Sol na Ilha de Luanda, Angola

(Foto de Elcalmeida, Maio 2009)


Pôr-do-sol*


Fantasmas de gás

Vermelho púrpura

Movendo-se lentamente

Entre a selva

De cimento armado


Talvez fantasias

De pôr-do-sol

Se perdendo

Na encruzilhada

Do dia e da noite

Apelando a um anoitecer

De afazeres vadios


*Filipe Zau*

*(poeta e investigador angolano; poema do livro “Encanto do mar que eu canto”)

O belo

Pretty Girl

(Tela de Irene Sheri, pintora ucraniana)


O belo*


O belo

não será


o elo

num dos pontos

do círculo


signo

de divino

poder


ou


o ritmo

das palavras


amalgamadas

no ser


*António Gonçalves*

*(poeta angolano; poema de 3.11.1993, retirado da “Antologia Poética: Buscando o Homem”)

terça-feira, janeiro 05, 2010

Bom Ano de 2010

"Flamingo, um símbolo cultural da cidade do Lobito; à entrada da Caponte"

Com votos que o Ano ora entrado seja, no mínimo, tão bom como o que findou - nos tempos que correm começa a ser um optimismo demasiado elevado querer melhor - o Malambas, nesta altura que entra no seu sexto ano de vida, deseja muita cultura e muito boa escrita portuguesa para 2010!

quarta-feira, dezembro 16, 2009

Água

"Sede D’ Alma"
(Tela de Naná Almeida; da exposição de artistas
angolanos em Lisboa, “Arte da Paz III”, Abril de 2009)

Água*

Água!

abriu a torneira
nem um fio

foi ao riacho
sem uma gota

abriu um poço
nem um lençol

olhou p’ro céu
além despossuído

fechou-se em si
bem desidratado

Ááááguaaaaa…
Ááááguaaaaa…aaa…aa…a…
Nesse dia o homem morreu!

*Roderick Nehone*
*(pseudónimo de Frederico Santos e Silva Cardoso; poema datado de 26.5.1983 e incluído no livro “Génese” ,galardoado, em 1996, com o prémio António Jacinto)