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Quando se junta uma amálgama de palavras, um conto ou um poema podem sempre emergir. A sua divulgação fará que não morram esconsos numa escura e funda gaveta. Daí que às minhas palavras quero juntar as de outros que desejem participar. Os meus trabalhos estão publicados sob o pseudónimo: "Lobitino Almeida N'gola". Nas fotos e pinturas cliquem nos nomes e acedam às fontes.
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terça-feira, novembro 14, 2006

Canto para Angola

"Em tempos de paz"
(Acrílico sem tela,
João Inglês, 1991)

Canto para Angola*

Hei-de compor um dia
um canto sem lirismo
nem tristeza
digno de ti, ó minha terra.

Hei-de compor um canto
livre e sem regras
que de boca em boca vai partir
nos lábios dos velhos e meninos.

Será o canto do pescador
com todos os sons dos mar
com os gemidos do contratado
nas roças de São Tomé.

Será o canto de todos os dramas
do algodão do Lagos & Irmão
o das tragédias nas minas
da kitoka e da Diamang.

Será o canto do povo
o canto do lavrador
e do estudante
do poeta
do operário
e do guerrilheiro
falando de toda Angola
e seus filhos generosos.
(Assim se fez madrugada)

*Joffre Rocha*
*(poeta angolano; poesia publicada no Tantã Cultural, nº 234, 9/15-Nov-2006)

quarta-feira, maio 24, 2006

Dia de África: Ora dja tchiga (Chegou a hora)

"Em tempos de paz"
(Acrílico sem tela, de João Inglês, 1991)
.
Ora dja tchiga*

Labanta bo anda fidjo d’Afrika,
Lebanta negro, obi gritu’l Pobo:
Afrika, Djustissa, Liberdadi

Obi gritu’l Pobo na Sistensia, na funko,
na simiteri, na lugar sem tchuba,
na bariga torsedo di fomi

Dexa bo funko, dexa bom ai, bo armun,
dexa tudo, pega na kunsiensia bo subi monti:
finka pena tchom bo pega n’arma.

Brandi fero, riba’l monti,
ko fomi o ko fartura, ko guerra o ko paz,
luta pa liberdadi’l bo terá!

Chegou a hora (versão portuguesa)

Ergue-te e caminha filho de África
ergue-te negro escuta o clamor do povo:
África Justiça Liberdade.

Escuta o gritar do povo clamando
na Assistência Pública
no funco
nos cemitérios nos campos sem chuva
nos ventres torcidos de fome.

Abandona funco, mãe, irmão, tudo
toma consciência sobe para as montanhas
finca os pés na terra pega em armas.

Brande o ferro no cimo dos montes
com fome ou abundância, guerra ou paz
luta p’la liberdade da tua terra.

*Kaoberdiano Dambará*
*(pseudónimo poético do cabo-verdiano Felisberto Vieira Lopes; poema retirado da Antologia Temática da Poesia Africana 1, compilada por Mário de Andrade, ICL,1980)