O que é este Blogue?

Quando se junta uma amálgama de palavras, um conto ou um poema podem sempre emergir. A sua divulgação fará que não morram esconsos numa escura e funda gaveta. Daí que às minhas palavras quero juntar as de outros que desejem participar. Os meus trabalhos estão publicados sob o pseudónimo: "Lobitino Almeida N'gola". Nas fotos e pinturas cliquem nos nomes e acedam às fontes.
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quinta-feira, fevereiro 22, 2007

Assim arde a matéria

"Sem nome"
(Tela de Lorenzo Macias – exposição na galeria Geraldes da Silva)


Assim arde a matéria*

Assim arde a matéria:
tua alma ungida
por um resto de mel aquecido
no bosque do meu coração.

Eu seguro as tuas coxas
e bebo em teu rio-oiro
essa beleza azul da água
smorzando

a virilha inédita
da minha terra natal.
penetro nela como um furacão
amortecida pela seca estação.

Assim arde a matéria
na sanga quebrada da paixão
teus lábios feridos
de ternas melodias.

*José Luís Mendonça*
*(poeta angolano; poema e desenho do livro “Logarítimos da alma, poemas de aMar”)

quarta-feira, fevereiro 07, 2007

Calumba que um dia

"Esboço de Paisagem Africana"
(Tela de
Rodrigo Diniz)
.
Calumba que um dia*


Aonde andará a moeda de pés de pó de talco
que um dia perdi na minha infância
os meus aviões de papel loucamente enfeitiçados
sobrevoando o teu riso libelinha
os chingufos de carne vibrando de poentes
aves ocultas no fogo de uma asa sem vento

Aonde andará a bicicleta de gelo a buganvília
que um dia beijou
minha alma de papel ao sol dos teus olhos
calumba que um dia


*José Luís Mendonça*
*(poeta angolano; poema do livro “Logarítimos da alma, poemas de aMar”

sexta-feira, novembro 24, 2006

Entre as dunas da cidade

“Mulher sentada”
(Desenho de José Redinha*)


Entre as dunas da cidade*

Leve mulher, vapor de água, colibri suspenso
no céu da minha boca, desde quando
beijas assim a flor selvagem do destino?

Frágil mulher, o mito que despertas
no meu peito abre caminho
rasgando a carne a golpes de paixão

E é essa dor que dói e não consinto
que deus algum venha apaziguar
que faz da tua noite a minha lua

Mmulher de areia, queria ser vento
voar baixinho e levantar tua saia
para arder entre as dunas da cidade.

*José Luís Mendonça*
*(poeta angolano; poema e desenho do livro “Logarítimos da alma, poemas de aMar”