O que é este Blogue?

Quando se junta uma amálgama de palavras, um conto ou um poema podem sempre emergir. A sua divulgação fará que não morram esconsos numa escura e funda gaveta. Daí que às minhas palavras quero juntar as de outros que desejem participar. Os meus trabalhos estão publicados sob o pseudónimo: "Lobitino Almeida N'gola". Nas fotos e pinturas cliquem nos nomes e acedam às fontes.

quarta-feira, dezembro 07, 2011

Estou No Meu Caminho

“Sandilar”
(Foto de Misha Gordin)

Estou No Meu Caminho*

Estou No meu caminho
Somente no meu caminho e nada mais
Correndo na velocidade de um míssil
Quilómetros infinitos a hora

Não quero moscas ao pé de mim
Pois não tenho açúcar para vos alimentar
Não quero falsas promessas e profecias
Porque não vou acreditar

Estou No Meu Caminho

Caminhando em linhas tortas
Mas sabendo direito aonde
Tenciono chegar
Não se aproxime muito
O Caminho é meu
E muito meu
Cada um no seu caminho
Todos atrás do troféu

Afaste do meu caminho
A maldição da inveja
Que herdaste dos teus presentes
E jogaste fora o amor herdado dos teus ancestrais

Estou No Meu Caminho

Distante de tudo e de todos
Que queiram aplaudir as minhas
Vitórias ilusórias

Em busca da liberdade infinita
Que tem o pássaro
Do sorriso ardente que tem
O sol e do Caminhar sem destino
Que tem o percurso dos rios

Estou No Meu Caminho…

*Sandro Feijó*
*(Poeta Universal; poeta angolano, 24 Agosto 2011)

sábado, dezembro 03, 2011

Lamento de um Povo


"Corpo nu de muher"
(Tela de desconhecido, retirado daqui)
Lamento de um Povo*

Pátria nossa sacrificada por ambições e traições
Desenfreados em busca das tuas riquezas
Provocando entre os teus filhos a miséria, a morte
E destruição descontroladas
Dum futuro que não aconteceu

Torrão pátrio...jamais ouvimos
O chilrear dos passarinhos, o cantar das cigarras
O murmúrio das cascatas, o silêncio dos regatos
O sibilar forte dos ventos nas anharas,
Nos sertões e florestas verdejantes,
Não olfatamos o cheiro acre dos teus frutos silvestres,
E apetitosos, o tamborilar das tuas chuvas generosas,
Nos telhados dos zincos dos muceques. Oh! Já não!

Ouvimos sim, ribombar dos trovões
Enfurecidos lançando os seus clarões, rasgando o céu
E o Sol com o seu brilho entristecido,
Contemplamos sim os nossos regatos, rios e cachoeiras
Tingidos de sangue inocente de filhos teus,
Que esperam e desesperam nesta Pátria nossa
O prometido que lhes foi recusado.

E lá longe escutamos os tantãs
Dos nossos Antepassados,
Soando seus lamentos de desespero
De angústia e choros de seus filhos amados

Gente amargurada que sofre, mas que tem petróleo
Café, diamantes, muamba, mufete, kissangi e
Tradições, mas sem Paz e continua pobre.

*José Emil Becker*

*(Poeta Angolano, retirado, com a devida vénia, do Facebook)

terça-feira, novembro 29, 2011

Contei meus anos...

"Volúpia I”

"Volúpia I”
(Eunice Maia, daqui)


Contei meus anos... *

Contei meus anos e descobri que terei menos tempo para viver daqui para a frente do que já vivi até agora.
Tenho muito mais passado do que futuro.
Sinto-me como aquele menino que recebeu uma bacia de cerejas.
As primeiras, ele chupou displicente, mas percebendo que faltam
poucas, rói o caroço.
Já não tenho tempo para lidar com mediocridades.
Não quero estar em reuniões onde desfilam egos inflamados.
Inquieto-me com invejosos tentando destruir quem eles admiram,
cobiçando seus lugares, talentos e sorte.
Já não tenho tempo para conversas intermináveis, para discutir
assuntos inúteis sobre vidas alheias que nem fazem parte da minha.
Já não tenho tempo para administrar melindres de pessoas, que apesar da idade cronológica, são imaturos.
Detesto fazer acareação de desafectos que brigaram pelo majestoso cargo de secretário-geral do coral.
“As pessoas não debatem conteúdos, apenas os rótulos”.
Meu tempo tornou-se escasso para debater rótulos, quero a essência,
minha alma tem pressa...
Sem muitas cerejas na bacia, quero viver ao lado de gente humana,
muito humana; que sabe rir de seus tropeços, não se encanta com
triunfos, não se considera eleita antes da hora, não foge de sua mortalidade,
Caminhar perto de coisas e pessoas de verdade,
O essencial faz a vida valer a pena.
E para mim, basta o essencial!

*Mário de Andrade*
*(poeta angolano esquecido (1893-1945)poeta angolano esquecido (1893-1945)

sexta-feira, novembro 11, 2011

A Dipanda

“Angola”
(Montagem de Elcalmeida)

A Dipanda*

Ainda há
ondas no mar
azul no céu
esperança no destino
e silêncio na pedra.
Continuamos vivendo
e morrendo
como sempre.

*Teresinka Pereira*
*(poetisa angolana; Luanda,11-11-11)

segunda-feira, outubro 10, 2011

Deixem-me chorar

Tears and Pain
(Foto retirado daqui)

Deixem-me chorar*

Deixem-me chorar
lágrimas de esquina
que dobram o coração,
sonhos de madrugada
que amamentam
as noites do luar.

Deixem-me vaguear
nos córregos do cérebro
que bloqueiam a poesia,
que travam a sensatez.

Dobro a vida das esquinas
e encontro a ponte
que não tem margens.

Deixem-me andar por aí
como quem sabe o que faz,
mesmo quando tropeço
no sonho de apenas querer
chorar como qualquer um.

*Orlando Castro*
*(Jornalista, contista e poeta angolano-português, poema inicialmente publicado aqui)

quinta-feira, outubro 06, 2011

As Calemas do Lobito

"Calemas"
(foto ©Elcalmeida, 2010)

As Calemas do Lobito*

Nas douradas areias
ou nas duras rochas,
batem duras,
batem fortes,
ondas soberbas
em cadência;
batem, enrolam
e em alvas espumas
desmaiam e voltam.

São as nossas Calemas!

Nas delicadas areias
ou nas duras fragas,
batem e tornam a bater
duras, fortes,
enroladas,
como só elas o sabem fazer.

São as nossas Calemas!

Cíclicas, metódicas,
em finais de Setembro acodem
e em Outubro partem;
na Restinga,
no Bairro da Praia,
ou no Compão
as Calemas abrolhem.

São as nossas Calemas
que ruidosas,
estrídulas, aparatosas,
no esporão desmaiam
e o Lobito refrescam!

*Lobitino Almeida N’gola*
*(6/Outubro./2011)

sábado, setembro 03, 2011

A Liberdade Tem A Marca do Meus Sangue

Freedom of Spirit

(Waalpaper, por walldesk)



A Liberdade Tem A Marca do Meus Sangue*


A Liberdade tem a marca do meu sangue

Pois fui eu quem defendeu

Esta nação flagelada

E pintou o verde de esperança

No rosto de quem achava impossível


Pois fomos nós
Escravos da roça
Oprimidos e sem vozes
Negros dos maminhos em vez de arroz
Pintamos o preto em branco
E tornamos esta terra em paz

A liberdade tem a marca do meu sangue

Pois fui eu

Na linha da frente

Quem alimentou esses famintos

Para que não morressem

Nas matas do deserto do Sahaara

E se reparares bem

Em cada alicerce da reconstrução

Desta nação tem a marca do meu sangue libertador.


*Sandro Feijó*

*(Poeta Universal; poeta angolano, 24 Agosto 2011)