quinta-feira, julho 13, 2017

Liberdade

(Debaixo de um novo Céu)
(Dilia Fraguito Samarth)

Liberdade*

Olho para a tua alma
Vejo o outro lado da cidade a florir

Sonhos abraçam o nada na intensidade de uma certeza
Crianças ao relento da mocidade
Comungam o pai nosso da esperança

Tu não me podes dar carta branca
Eu sou um pássaro

As cinzas da minha dolente alma
Alcançaram a imortalidade no paraíso das palavras

As minhas lágrimas compraram  hectares de sorrisos
Nesta de deserto de queixumes
Recuso oferecer-te o meu clandestino abraço

(...) Alcancei a imortalidade

na dimensão de um adeus(...)

*Sandro Feijó*
*(Poeta angolano, Julho 2017 - inédito)

Espelho...

(Look in the mirror)
(ver aqui)

ESPELHO...*

Olho para a tua alma
Vejo o outro lado da cidade a florir

Sonhos abraçam o nada na intensidade de uma certeza
Crianças ao relento da mocidade

Comungam o pai nosso da esperança

*Sandro Feijó*
*(Poeta angolano, Julho 2017 - inédito)

sábado, julho 01, 2017

Aos muenexi da utopia, Kana!

(Revista Cultural Licungo, nº 5/Vov/2016)
(Foto ©Elcalmeida ; edição da CEMD)


Aos muenexi da utopia, Kana!* **

Kamba Eié!
Adormece sossegado,
e não te sintas sobressaltado.

Os muenexi da utopia
avassalaram o poder,
mas quando o dia tornar,
podes confiar,
que eles, zuna, bailarão.

Kamba, quando soar o dia,
quedarás numa imensa exultação;
tudo irá sulcar, florir,
nas anharas que fui capaz de criar
na tua afeição.

Kamba, eié!
Eles vão tomar berrida,
com falta de coragem de atender
a harmonia que conseguimos espalhar
e inundar bué, a chitaca, com a poesia
que serve para alimentar.
a kinda do nosso dia-a-dia.

Depois, de mão dada,
fimbaremos por aquela picada,
construída pelos nossos secúlos,
que nos levará a nós,
jamais sós.

Kamba, meu Kota, Eié!
Adormece retraído,
mas não te sintas abalado;
aos muenexi da utopia,
kiabolo, diremos… Kana!

Glossário (do kimbundo)
anharas – planície de capim (erva) rasteiro
bué – muito
chitaca – pequena fazenda, geralmente hortícola
eié – olá
fimbar(emos) – mergulhar
Kamba – Amigo
kana – não
kiabolo – podres
kinda – cesta
Kota – Mais velho (termo respeitoso)
muenexi – donos
picada – estrada
secúlos – idosos, ancestrais, avós
zuna – muito depressa

*Lobitino Almeida Ngola*
*Lisboa, Setembro de 2016

** Publicado no livro “Revista Cultural Licungo nº 5/Nov/2016”, páginas 88 e 89; edição CEMD

terça-feira, fevereiro 07, 2017

Os Lugares Diferentes

(Sem título)
(© JFR, Fairhaven, MA)

Os Lugares Diferentes*


Juntos atravessámos o mar
para chegar
a um lugar estrangeiro.
Primeiro os lugares
são todos estrangeiros,
estranhos, diferentes,
até começarmos a dialogar
com as suas gentes.
Depois aprendemos um segredo:
nem toda a gente
sabe ultrapassar
o medo.
Há quem se aproveite dessa realidade
para sofismar o sinónimo de Liberdade,
os grandes vigaristas,
defensores de ideais paternalistas,
que pensam serem patrões
das mentalidades e das opiniões.

*José Filipe Rodrigues*
(Poeta e contista Angolano – Fairhaven, MA, USA, 2017)

quarta-feira, dezembro 23, 2015

Boas Festas 2015


Desejo a Todos @ Amig@s Um Feliz Natal cheio de harmonia, paz e amizade!(Merry Christmas! Joyeux Noël! Feliz Navidad! Frohe Weihnachten! Веселого Рождества!)

(este meu poema, pode ser lido integralmente aqui.)

sexta-feira, junho 12, 2015

Saudade Teimosa

("African Suite")
(Tela de Keith Mallett, daqui)


Saudade Teimosa*

A minha alma está nostálgica!

A saudade veste-se de vermelho,
do chão daquela terra,
é iluminada pelos raios do sol único
mesmo que suada pelo cacimbo,
mas aquecida pelo ar dos trópicos!

Ai...Esta saudade…
Que teima em não desistir
e traz à minha memória,
tantas praias de alegria
e florestas de felicidade
picadas viajadas nas melodias
tocadas pelos batuques
e nos choros lânguidos do kissange!

Saudade, que me apertas o coração,
acalma-me esta ânsia de querer voltar
a pisar o vermelho do solo
e a sentir os cheiros de Angola!

Tudo mudou, tudo se transformou
talvez um dia, quiçá em outro tempo,
te possa visitar, minha terra de coração,
e voltar a deambular pelos musseques
de palhotas cobertas de colmo
forradas a barro,
ver os seios das mulheres
livres, como aves
embelezados pelo brilho da pele negra!

Ai, esta saudade de África
que se entranhou em mim,
respira pelos poros
da minha nostalgia
e entardece-me a alma
em melancolia.

*José Carlos Moutinho*
*(poema inédito do escritor e poeta português que viveu muitos anos em Angola)
Feito em 8/5/14

Poder venal

("Poder absoluto")
(via Internet)

Poder venal*

Imensas, desumanas e fortes
são as garras do Poder;
venal ópio de muitos dirigentes.
Quanto mais o consomem,
sem pundonor dos que derrocam,
mais determinação experimentam,
de o aumentar, de o manter!

*Lobitino Almeida N'gola*
*Luanda, Maio de 2009.