O que é este Blogue?

Quando se junta uma amálgama de palavras, um conto ou um poema podem sempre emergir. A sua divulgação fará que não morram esconsos numa escura e funda gaveta. Daí que às minhas palavras quero juntar as de outros que desejem participar. Os meus trabalhos estão publicados sob o pseudónimo: "Lobitino Almeida N'gola". Nas fotos e pinturas cliquem nos nomes e acedam às fontes.

sábado, março 21, 2009

Saudades de Angola

"Nu ao luar"
(Pintura em pastel de
Thó Simões)

Saudades de Angola*

Duas palavras existem
que de tão fortes
quanto poderosas
definição não têm.

E quando cá longe andamos
e as duas desabusadas se associam,
tão penosas se trasladam
em alma expatriada menstrua.

Uma, etérea,
de Saudade se apelida;
outra, qual sublime arte terrena
por Angola assim se clama!

Tudo se define,
e quase tudo se compreende;
se a Saudade é algo que se sente,
Angola é fogo presente sempre ardente!

*Lobitino Almeida N'gola
(Lisboa, 21.Março.2009, pelo Dia Mundial da Poesia)

sexta-feira, fevereiro 27, 2009

Punhal na alma... pelas costas

"Barco Moliceiro, Turismo na Ria de Aveiro"
(Foto de ©Elcalmeida, Verão de 2008)


Punhal na alma... pelas costas*

Na vida das esquinas
encontrei esquinas
que me apontaram a vida
que, afinal, estava mesmo
ao dobrar da esquina.
Apesar disso chorei
quando senti o punhal
entrar-me pela alma
sem verter uma gota de sangue
porque esse jazia
sonolento num corpo perdido
na madrugada que anoitecia
sem se lembrar da poesia
que nascera décadas antes
nos córregos sinuosos
de uma saudade castigadora
bem mais lancinante
do que o punhal que me feriu
a alma e que, mais uma vez,
foi espetado pelas costas.

*Orlando Castro*
*(jornalista, poeta e contista angolano-português; poema originalmente publicado
aqui)

Foi aquém e foi além

"Fenda da Tundavala, Huila, Angola"
(Foto de ©Nuno Silva Leal, ‘visitando o Lubango’;
daqui)

Foi aquém e foi além*

Aqui, onde quem estou, serei.
Onde meu corpo é sinal de procura,
sinal de um mar para onde vou.
Onde o verso me dará quem sou.
Onde versos e versos me levam ao segredo.

Sim, deixa dizer em segredo deste pedaço de procura,
deste resto de música que, de mais além me dá sinal.
Deixa dizer meu sonho
e seguir o sonho de um mar por cumprir.

Porque, para os outros que me lêem,
não posso dizer tudo quem sou.
Os breves recantos onde me guardo.
Os sinais que me dão segredo.

*José Adelino Maltez*
*(Cientista político; poeta português – poema retirado
daqui)

sexta-feira, janeiro 30, 2009

Viagem

Sem título
(Tela de António Aly Silva, 2002;
daqui)

Viagem*

O beijo da quilha
na boca da água
me vai trocando entre céu e mar,
o azul de outro azul,
enquanto
na funda transparência
sinto a vertigem
da minha própria origem
e nem sequer sei
que olhos são os meus
e em que água
se naufraga a minha alma

Se chorasse, agora,
o mar inteiro
me entraria pelos olhos

*Mia Couto*
(Escritor moçambicano; retirado do livro”Poemas Leya” e originalmente publicado na obra “Raiz de Orvalho”)

A alma é como a lavra

"A invocação mágica de Alma Welt"
(Óleo sobre tela de
Guilherme de Faria, 2007)

A alma é como a lavra*

A alma é como a lavra.
Quando as nossas mãos voltam a desfiar
O milho amarelo de ouro?
Que outras mãos que as nossas semeiam
O medo e o silêncio da morte?
Porquê este frio? Porquê tão longa a noite?
Como se faz o mundo? Quando começa o mundo?

*Maria Alexandre Dáskalos*
*(Poetisa angolana; retirado do livro”Poemas Leya” e originalmente publicado na obra “Jardim das Delícias”, 2003)

quarta-feira, dezembro 31, 2008

Bom 2009 no 4º ano de existência

(Luanda despede-se de 2009 no Largo da Independência; foto Sapo.ao/Foto@ANGOP/ Lucas Neto)

O Malambas, o seu autor, e porque não, todos os que aqui têm deixado os seus textos e comentários, desejam a todos os leitores deste blogue que quer ser cultural e defensor da Lusofonia, enquanto veículo de expressão e de união, votos de Bom Ano 2009 e que este 4º ano de existência que entra com o Ano Novo seja um pouco mais profícuo que o que acaba.

Bom Ano de 2009, cheio de muita cultura, muita poesia, muitos textos e acima de tudo livros mais baratos.

terça-feira, dezembro 16, 2008

Resposta ao Mestre José Craveirinha

Imagem reflectida do eu
(Tela do angolano
Thó Simões)

Resposta ao Mestre José Craveirinha*

Sabe Mestre…
Hoje os peidas gordas
Já não tem cor nem raça
E no entanto a táctica de por K.O.
Essa espécie com um punch
Ao primeiro round
Aumentou consideravelmente
E garanto-te também mestre
Que já existem mais peidas…
Os peidas magras
E os peidas minguadas
De tanta ignorância instalada
Já se confundem
E fundem,
Joe Louis
Com Max Schmelling
E os Skin Head’s, Neonazis emprestados,
Apregoando nacionalismos exacerbados
Fazem vendettas urbanas
Organizando linchamentos surpresa de negros e gays
E os tribunais de tão democráticos
Libertam-nos sob caução ou já com pena suspensa
E no final ficamos todos a perder,
A perder no evoluir
Da regressão, alguma humanidade
E ficamos sem um pingo de vergonha!

*Delmar Maia Gonçalves*
*(poeta moçambicano; poema cedido ao Malambas pelo autor; Lisboa, 10/09/2007)