segunda-feira, janeiro 23, 2006

Surucucu

"A maior e mais bela surucucu que conheço"
.
Surucucu*
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Fui mordido sem remédio,
quem me mordeu foste tu...
E agora morro de tédio,
veneno surucucu.
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Foi numa triste cubata,
mais longe do que a distência,
mais longe do que a saudade,
que é tempo morto que mata.
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Nunca mais posso esquecer
a tua boca sem fala,
quando um leão, que era rei,
assustava e complicava
os murmúrios da sanzala.
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Uma palmeira
à luz da Lua, parecia que rezava
naquele mundo profano!...
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Fui mordido... - Foste tu! -
Nunca mais posso esquecer-te,
- veneno surucucu.

*Tomaz Vieira da Cruz*
*(poeta nascido português mas que assumiu Angola como sua onde foi enterrado a seu pedido - poesia retirada da compilação "Quissange", edição Lello, 1971)

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